Arquitetura de moeda em 3 níveis
Eis uma pergunta que costuma confundir as pessoas na contabilidade multimoeda: quando você fatura um cliente em euros a partir da sua empresa no Reino Unido, que faz parte de um grupo sediado nos EUA — em que moeda essa venda "está"? A resposta honesta é nas três ao mesmo tempo. Qualquer valor em um grupo multimoeda existe simultaneamente em três níveis, e assim que você conseguir enxergar esses três níveis, todo valor em moeda estrangeira na REDA deixa de ser confuso. Este artigo os apresenta de forma clara.
Acesso necessário. Qualquer conjunto de permissões da REDA Financials permite ver esses níveis de moeda nos documentos e relatórios; ativar o multimoeda é uma tarefa de configuração do Accounting Admin v2 (ou Accounting Controller v2).
Os três níveis
| Nível | O que é | No nosso exemplo |
|---|---|---|
| 1 · Moeda do documento | A moeda em que a transação de fato acontece — o que é cobrado do cliente. | Uma fatura em EUR |
| 2 · Moeda funcional | A moeda local em que a empresa mantém seus livros — tudo o que ela registra acaba aqui. | Meridian Properties UK Ltd → GBP |
| 3 · Moeda corporativa | A moeda única em que todo o grupo reporta, para que todas as empresas possam ser combinadas. | Meridian Properties Group → USD |
Acompanhando um valor pelos níveis
A Meridian Properties UK Ltd (moeda local GBP, em um grupo cuja moeda corporativa é USD) emite uma fatura em EUR. Veja o valor se mover:
Documento → Funcional
O valor em EUR é convertido para GBP na taxa da data da fatura e contabilizado nos livros do Reino Unido. O livro razão está sempre na moeda funcional da empresa. O cliente continua vendo EUR; os livros veem GBP.
Funcional → Corporativo
Para o relatório do grupo, esse valor em GBP é convertido para USD — assim, as demonstrações consolidadas mostram todas as empresas em uma única moeda.
O que fica realmente armazenado em cada lançamento contábil
Isso não é apenas uma forma de pensar — a REDA grava fisicamente os três níveis em cada Transação contábil (os registros individuais de débito/crédito que compõem o livro razão). Cada lançamento carrega:
| Nível | Campos no lançamento | Contém |
|---|---|---|
| Documento | Transaction Debit / Transaction Credit, Transaction Currency, Transaction Exchange Rate | O valor conforme faturado, sua moeda e a taxa usada para chegar à moeda local |
| Funcional | Debit / Credit | O valor na moeda local da entidade — o valor "real" do livro razão a partir do qual as demonstrações são montadas |
| Corporativo | Corporate Debit / Corporate Credit, Corporate Exchange Rate | O valor convertido para a moeda do grupo, e a taxa usada |
Os três níveis são preenchidos em todo lançamento, mesmo em uma organização de moeda única — nesse caso eles simplesmente são idênticos, com taxas de 1. Essa consistência é proposital: os relatórios nunca precisam perguntar "este lançamento tem um valor corporativo?"; ele sempre tem. Mais dois detalhes importantes:
- A taxa é fixada no momento da contabilização. A taxa de câmbio em vigor na data da transação é gravada no documento e em seus lançamentos. Mudanças posteriores na taxa nunca revalorizam silenciosamente o que já foi contabilizado — em vez disso, elas aparecem como ganhos e perdas cambiais explícitos.
- Cada linha converte para sua própria empresa. Em um documento cujas linhas pertencem a entidades diferentes (por exemplo, um lançamento entre empresas), cada linha converte da moeda do documento para a moeda local da empresa daquela linha — o tratamento que as normas internacionais (IAS 21) exigem. Qualquer pequena diferença de arredondamento resultante da conversão linha a linha é corrigida na maior linha, de modo que os débitos sempre igualem os créditos em todos os níveis.
Como funcionam as taxas de conversão
A REDA lê taxas de câmbio datadas, todas expressas em relação à moeda corporativa (a própria moeda corporativa vale "1"). Para converter entre duas moedas quaisquer em uma determinada data, ela divide uma taxa pela outra — assim, nunca precisa de um par direto EUR↔GBP, apenas da taxa de cada moeda em relação à base corporativa.
Onde os três níveis aparecem na prática
| Você vai notar os níveis quando… | O que está acontecendo |
|---|---|
| Uma fatura mostra um valor diferente do livro razão | Você está vendo a moeda do documento vs. a moeda funcional — ambas corretas. |
| Aparece um ganho ou perda cambial | Uma movimentação entre os níveis 1 e 2 — a taxa mudou entre o faturamento e o pagamento. (Veja FX realizado/não realizado.) |
| Os relatórios do grupo diferem ligeiramente da soma das empresas | Diferenças de conversão entre os níveis 2 e 3 — convertendo de funcional para corporativo. |
| Um relatório oferece Entity Functional vs. Corporate Currency | Você está alternando entre a visão funcional (uma empresa) e a visão corporativa (o grupo). Ao rodar um relatório entre entidades com moedas locais diferentes, a REDA alterna automaticamente para você, com a mensagem "Multiple currencies detected — showing in corporate currency". |
O que vem a seguir
- Entendendo o multimoeda — o panorama geral por trás dos níveis.
- Taxas de câmbio — como a REDA converte entre os níveis.
- Moeda nos documentos — qual moeda um documento assume.
- Ativando o multimoeda — como ativá-lo nos dois níveis.
Perguntas frequentes
Não. No modo de moeda única, os três níveis são a mesma moeda, então não há nada para converter. Isso só importa quando você opera entre diferentes moedas.
É a moeda que sua organização do Salesforce define como moeda corporativa (na configuração de moedas), geralmente a moeda da matriz do grupo. Uma coisa que ela nunca é: a moeda de exibição pessoal de um usuário individual — os valores corporativos são os mesmos para todos, ou os relatórios do grupo não seriam comparáveis.
Porque as contas de uma empresa precisam fechar em uma única moeda consistente. Se cada lançamento permanecesse na moeda em que foi faturado, não seria possível totalizar os livros. Por isso, tudo é convertido para a moeda funcional única da empresa no momento da contabilização.
Isso foi útil?